Câmara Municipal de Curitiba: mais um festival de grosserias e falta de civismo

Ao invés de perguntarem quem mandou matar Marielle, vereadores atacam a imagem de uma pessoa que já morreu

Em mais uma sessão repleta de grosserias, falta de educação e falta de civismo, a Câmara Municipal de Curitiba decidiu nesta segunda-feira (14), por 17 a 11 votos, com 8 abstenções, arquivar o projeto de lei da vereadora Carol Dartora (PT) que denominava um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) da capital como Marielle Franco. Ofendendo a memória de uma pessoa que foi assassinada, alguns vereadores chamaram a vereadora do Rio de “abortista” e “defensora das drogas”.

A grosseria é evidente, pois Marielle não está aqui para se defender. E a falta de civismo também, pois tratava-se de uma vereadora democraticamente eleita que foi morta por motivos políticos. Ao não cobrarem a completa solução do caso, com a identificação e a punição dos mandantes do crime, esses vereadores tentam reduzir a importância de um crime político, esculhambam o Poder Legislativo, desprezam o voto popular e cospem em todo o sistema democrático com o único objetivo de defender suas agendas. Se usássemos a “lógica” usada pela direita brasileira, à qual pertencem, poderíamos dizer que eles estão “defendendo os assassinos”, mas desconfiamos que não conseguiriam compreender o raciocínio, ou que fingiriam não entender.

A atuação da bancada de apoio ao prefeito (qualquer prefeito) na Câmara Municipal de Curitiba é uma afronta há décadas. Sempre aprovou tudo que o Executivo manda, sem questionamentos e em regime de urgência, trocando o local da votação, se necessário for, para ferrar com a vida de servidores da base enquanto garantem créditos suplementares para as empresas de ônibus. De uns tempos para cá, com a ascensão dos baderneiros da extrema direita no país, tememos que a Câmara Municipal de Curitiba migre para outro ramo de atividade e passe a figurar entre as melhores estrebarias da cidade.

Mark Silva, correspondente do INDEX em Uberaba