Relatório mostra interesse de grandes mineradoras em 34 terras indígenas

Garimpos ilegais próximos à comunidade Ye’kwana, na terra indígena dos Yanomami (Foto: Rogério Assis/ISA)

Um relatório elaborado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a organização Amazon Watch mostra que nove gigantes da mineração têm interesse em 34 áreas que estão em terras indígenas, totalizando 5,7 mil quilômetros quadrados – ou mais de três vezes as áreas de Brasília ou de Londres. As informações estão em matéria publicada no site do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Milhares de requerimentos minerários com interferências em áreas indígenas seguem ativos na base de dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), mostra o relatório “Cumplicidade na Destruição IV – Como mineradoras e investidores internacionais contribuem para a violação dos direitos indígenas e ameaçam o futuro da Amazônia”. Com o avanço no Congresso dos projetos de lei como o PL 191/2020 e o PL 490/2007, esses requerimentos podem garantir às mineradoras prioridade na exploração desses territórios.

Nove grandes mineradores concentram os requerimentos (Foto: Daniel Beltrá / Greenpeace)

As terras indígenas mais afetadas por esses pedidos são a TI Xikrin do Cateté (PA) e a TI Waimiri Atroari (AM), ambas com 34 requerimentos cada, seguidas pela TI Sawré Muybu (PA), com 21. A etnia mais impactada por estes pedidos de mineração é a Kayapó (PA), com 73 requerimentos. O Pará é o estado com a maior concentração de pedidos, que duplicaram entre julho e novembro de 2021. Os dados foram obtidos a partir de uma parceria com o projeto Amazônia Minada, do portal InfoAmazonia, que resultou em um painel interativo (lançado junto com o relatório) que permite pesquisa em tempo real na base de dados da ANM.

As informações estão no site do Conselho Indigenista Missionário (Cimi)